capítulo 2

Nathália pergunta a Walter onde estavam seu noivo e sua irmã, onde estavam seus pais.
O médico sabe que não poderia lhe esconder a verdade, mas ao mesmo tempo temia que qualquer coisa que fosse lhe dizer agora impactasse negativamente a sua recuperação.
A moça no entanto era esperta.
Ele poderia a contornar com o fato de Nayara estar grávida e não poder ir a ver agora, por causa da pandemia.
Mas isso não se aplicava as outras pessoas, era impossível esconder.

O noivo de Nathália Oto, deixou de visita-la no hospital, 1 ano depois do coma.
Logo que ela foi transferida para aquela clínica de repouso ele não foi mais a ver.
Seguiu a sua vida, se casou com outra mulher e tinha uma outra família.
Walter teve de contar isso a moça, a medida que seus olhos lacrimejavam.
Ela volta a perguntar chorando dos pais, onde eles estavam e por qual motivo não estavam ali?
O médico teve que a explicar, que eles contraíram Covid-19, e foram uma das primeiras vítimas fatais da pandemia.
Mas estavam 6 meses sem irem na clínica quando isso aconteceu.

Nathália chora e sabe, foi abandonada por todos que ela amou e por quem jurava ama-la até o fim.
Para eles o fim chegou e eles a esqueceram.
Para ela o fim estava longe de acabar de fato.
Nathália fica pensativa, Walter lamenta a causar dor.
A moça diz que não foi ele e agradece por ter feito o correto e falado a verdade.
Ela pergunta quando poderia caminhar, mas por estar anos sem andar não seria fácil.
O médico a explica que a recuperação ainda ia demorar, e que teria que se contentar em locomover-se numa cadeira de rodas.
A põe sentada em uma e a empurra pelos corredores da clínica a mostrando o lugar.
Uma das portas de um dos quartos estava aberta, quando ela nota algo que lhe chama a atenção.
Sentada numa cadeira, com os cabelos longos e lisos, estava Malu.
Ela estava sendo maquiada por alguém, um homem.
A cena chama a atenção de Nathália que fica os olhando.
Walter diz que aquela seria Malu.
E ele entra com a paciente no quarto pedindo licença.
Ele fala para Malu que levou a ela uma nova visita naquela tarde, apresentando Nathália.
E diz a moça que aquele rapaz que ela via maquiando Malu, era seu marido.

Malu tinha uma grave doença degenerativa e havia chegado aos estágios finais.
O marido não poderia cuidar dela em casa então a mantinha no hospital.
Todas as tardes ele ia a clínica a visitar.
E depois de maquia-la, de tirar fotos com ela e de ler para ela,
ele ia embora.
Mas aquela rotina era feita todos os dias, faça chuva ou faça sol, ele estava ali.
Nathália diz a Malu que ela apesar de estar naquele estado, era uma mulher de sorte.
Ela tinha quem a amasse de verdade.
Todas as pessoas que ela amou, e que pensou que iriam ama-la de volta, a abandonaram naquele lugar.
Nathália chora.
Walter pede desculpas e diz ao marido de Malu, que Nathália acabara de despertar de um quadro de 3 anos de coma.
Ele pergunta como aquilo era possível, 3 anos e ela acordar depois.
Walter diz ao rapaz que ninguém entende os mistérios de Deus.
Malu, olha para Nathália e sorri.
Mas há meses ela não sorria ou esboçava qualquer outro tipo de reação.
Seu esposo se emociona.
Mais que qualquer reação, Malu estica o braço para estender e pegar a mão de Nathália.
Nas cadeiras as duas se dão as mãos.
Nathália sentia como se ela pudesse dizer que ela não desistisse, como se fosse de fato alguma mensagem que tentasse a passar.
Nathália se emociona e agradece, fala para Malu que iria visita-la sempre que pudesse, se ela desejasse.
O marido de Malu diz que seria uma honra que eles pudessem a receber sempre que ela se sentisse bem.
Eles trocam olhares ali então, e ele nota a tristeza nos seus olhos.
Ele se aproxima, com o pincel e o lápis, faz contornos de maquiagem no rosto de Nathália maquiando-a também.
Malu olha a cena, e sorri, sorri como antes nunca tinha feito nos meses que estava ali.
Era um sorriso de alívio mas também de aceitação.
Como se ela quisesse dizer algo a todos, embora ninguém conseguisse compreender o que ela falara.